Questões da prova de Assistente Administrativo (Docas - RJ - 2006)

O Fim da Barriga

Nas últimas cinco décadas, o "peso ideal" foi um dos indicadores mais importantes da boa saúde. O excesso puro e simples de tecido adiposo era tido como o vilão responsável por uma série de doenças - de infartos e derrames a apnéia do sono, de vários tipos de câncer a problemas na coluna. Os estudos mais recentes, no entanto, mostram que a relação entre o peso corporal e saúde é bem mais complexa do que se supunha.

Mais importante do que a quantidade de gordura é o modo como ela se distribui pelo organismo. E não há gordura mais perniciosa do que aquela que se concentra no abdômen, a famosa barriguinha – "de chope", no caso dos homens. No jargão médico, ela é conhecida como gordura visceral ou intra-abdominal. Os perigos oferecidos por ela decorrem de sua proximidade com órgãos vitais como fígado, intestino, rins e pâncreas. "O papel desta gordura no organismo é um campo que a ciência investiga há muito pouco tempo", disse à VEJA o endocrinologista canadense Jean-Pierre Després, um dos principais pesquisadores de gordura visceral do mundo.

Paulo Neiva

De acordo com o texto, responda até a Questão – 5:

1. Em "– de infartos a derrames a apnéia do sono, ...", o significado do vocábulo sublinhado está correto na opção:
a. desconforto ao dormir.
b. agitação do sono.
c. falta de equilíbrio.
d. suspensão da respiração.
e. excesso da respiração.

2. No vocábulo adiposo o sufixo oso tem a noção de:
a. nomenclatura científica.
b. ação.
c. profissão.
d. quantidade.
e. procedência.

3. "Os estudos mais recentes, no entanto, mostram que..."
No período acima o elemento coesivo tem a função de:
a. oposição.
b. condição.
c. temporalidade.
d. explicação.
e. conformidade.

4. "... é o modo como ela se distribui pelo organismo."
O termo em destaque tem o mesmo valor em:
a. Não compreendia seus pais por ser jovem.
b. A greve será por tempo indeterminado.
c. Lutamos por melhores salários.
d. As barracas se distribuíam por toda praça.
e. Falamos por todos os colegas.

5. "... gordura visceral ou intra-abdominal".
O sentido do prefixo latino está contido no vocábulo.
a. introvertido.
b. introdução.
c. intraduzível.
d. intragável.
e. intransferível.

6. ESCAPULÁRIO
No Pão de Açúcar
De Cada Dia
Dai-nos Senhor
A Poesia
De Cada Dia.
Oswald de Andrade
O poema nos remete à oração católica "Pai Nosso". Essa ocorrência se denomina:
a. intertextualidade.
b. paráfrase.
c. paródia.
d. citação.
e. ironia.

7. "... a ciência investiga muito pouco tempo."
Com o mesmo sentido do período acima o vocábulo em destaque completa a opção:
a. ___ muitas propostas entregues.
b. ___ momentos de incerteza.
c. ___ dois meses foi entregue a pesquisa.
d. ___ um campo de pesquisa na Universidade.
e. Daqui ___ dois meses teremos o resultado da pesquisa.

8. "Nike renova com a CBF até 2018."
Sem alarde, a Nike renovou seu contrato com a CBF até 2018.
(Revista Veja – 19/04/2006)
Podemos afirmar que nesse trecho há uma figura de linguagem conhecida como:
a. metonímia.
b. hipérbole.
c. metáfora.
d. hipérbato.
e. comparação.

9. Em qual das alternativas a seguir o sufixo exprime idéia de agente:
a. agricultor, verdureiro, agente, modelador.
b. paulista, viveiro, anilina, inglesa.
c. algodoal, arvoredo, cardume, formatura.
d. canteiro, acetileno, solidão, resistente.
e. maldade, surdez, brancura, perecível.

10. A frase que apresenta ERRO quanto a sintaxe de regência é:
a. Falta de atenção implica em erros.
b. Prefiro ler a ver televisão.
c. Assistimos a uma partida emocionante.
d. Todos visam a uma vida tranqüila.
e. Perdoou ao filho a desobediência.

Questões da prova de Agente Administrativo (Prefeitura de Maricá - 2007)

Chico Mendes

Zuenir Ventura

O país que produziu alguns dos mais famosos mitos olímpicos e dionisíacos deste século - Pelé, Tom Jobim, Ayrton Senna, Ronaldinho - criou também um herói trágico e transformou-o no protomártir da causa ecológica, um homem que precisou morrer para ser conhecido em sua pátria, ele que já era, como escreveu "The New York Times", "um símbolo de todo o planeta".

De fato, o seringueiro Chico Mendes foi quem mobilizou não só o Brasil, mas também o mundo para a defesa da floresta amazônica, à qual acabaria dando sua vida. Certo de que estava marcado para morrer, ele não só denunciou a trama, como achava que morreria em vão. "Se descesse um enviado dos céus e me garantisse que minha morte iria fortalecer nossa luta, até que valeria a pena. Mas ato público e enterro numeroso não salvarão a Amazônia. Quero viver".

Ele disse isso e pouco depois, às 18h45 do dia 22 de dezembro de 1988, foi assassinado, aos 44 anos, na porta da cozinha de sua casa em Xapuri, uma pequena cidade de cinco mil habitantes no estado amazônico do Acre. "Ele vinha com as mãos na cabeça, todo vermelho de sangue", contou Ilzamar, que ouviu um estouro e correu para o marido. "Quando eu quis pegar no seu braço, ele caiu e ficou se debatendo. Aí vi que estava morrendo".

Além de 18 perfurações no braço, ele fora atingido no peito direito por 42 grãos de chumbo de uma espingarda de caça. O autor confesso do disparo, Darci, era filho de Darli Alves da Silva, o fazendeiro mandante do crime.

Só então, e diante da grande repercussão internacional, é que o Brasil começou a desconfiar, cheio de culpa, de que tinha perdido o que se custa tanto a construir: um verdadeiro líder.

Como um Gandhi dos trópicos, Chico organizou pacificamente os seringueiros para lutar pela preservação da floresta, que vinha sendo derrubada no Acre desde a década de 70 para dar lugar às grandes pastagens de gado. O movimento de resistência usava uma tática simples e eficaz: o empate, que consistia em impedir os desmatamentos, colocando os seringueiros, seus filhos e mulheres, todos desarmados, entre os peões armados de serras e as árvores.

Hábil político e homem de diálogo, Chico conseguiu também desfazer uma inimizade histórica entre seringueiros e índios, que sob sua influência se aliaram numa grande frente conhecida pelo nome de Povos da Floresta. Condecorado pela ONU e respeitado pelas organizações internacionais de proteção ao meio ambiente, Chico demonstrou que era possível promover um desenvolvimento racional para a floresta amazônica, sem transformá-la em santuário intocável, mas também sem devastá-la.

Criou para isso o projeto de reservas extrativistas, espaços para garantir os direitos mínimos que os seringueiros nunca haviam tido: escola, postos de saúde, melhores condições de comercialização de seus produtos, maior produtividade de extração, segurança contra as ameaças de expulsão dos latifundiários.

Chico sabia que precisava de aliados, não podia ficar isolado em Xapuri lutando contra poderosos interesses de fazendeiros e pecuaristas. Alguns antropólogos e representantes de entidades ambientalistas dos Estados Unidos e da Europa se encarregaram de projetá-lo no circuito internacional.

(...)

Se por um lado o prestígio externo reforçou a sua luta interna, por outro, pode ter contribuído para sua desgraça.

Aplaudidas pelo Bird, pelo Bid e pelo Congresso americano, suas idéias enfrentavam a oposição violenta dos latifundiários, dos madeireiros e dos grandes projetos agropecuários que vivem do desmatamento desordenado da Amazônia.

A fama que ele alcançara junto a instituições e entidades estrangeiras, o seu carisma, tudo isso aliado aos incômodos empates que organizava em Xapuri, devem ter dado a seus inimigos a certeza de que a única maneira de barrar sua ação catalisadora era a morte.

Por isso ele sabia que ia ser assassinado e denunciou incansavelmente a ameaça. "Não quero flores no meu enterro, pois sei que vão arrancá-las da floresta", escreveu no dia 5 de dezembro numa mensagem-despedida. "Quero apenas que meu assassinato sirva para acabar com a impunidade dos jagunços, sob a proteção da Polícia Federal do Acre e que, de 1975 para cá, já mataram mais de 50 pessoas".

Poucas vezes a polícia brasileira contou com uma lista tão completa de acusados, fornecida pela própria vítima. Nem isso, porém, serviu para impedir a morte anunciada.

Chico Mendes acertou quando anunciou que ia ser morto, mas errou ao achar que sua morte poderia ser inútil. Se ela não salvou a Amazônia, serviu pelo menos para intensificar o debate planetário sobre o destino da região. E mais: esse assassinato - antecedido por dezenas de execuções de outros líderes rurais - terá servido para denunciar que em um rico e extenso país ainda se mata por questões de terra.

Aquele estouro que Ilzamar ouviu chegou ao mundo todo. Nunca um tiro dado no Brasil ecoou tão longe.

(Texto publicado em 19/08/1999. Disponível em http://portalliteral.terra.com.br/zuenir_ventura/por_ele_mesmo/artigos/02chico_mendes.shtml?porelemesmo – acesso em 22/01/2007)

1. De acordo com o texto lido, "protomártir" significa o:
a. mártir menos preparado
b. único mártir
c. mais jovem mártir
d. primeiro mártir
e. mártir perfeito

2. Segundo Zuenir Ventura, Chico Mendes é:
a. um mito olímpico e dionisíaco
b. um herói que ficou conhecido primeiro no Brasil e depois em todo mundo
c. o responsável pela inimizade histórica entre seringueiros e índios
d. o único ecologista brasileiro
e. um verdadeiro líder

3. Sobre a morte de Chico Mendes, pode-se dizer, com base no texto, que:
a. foi "anunciada" pela própria vítima
b. não pôde ser evitada pela polícia, por ter sido muito bem planejada
c. ocorreu porque a vítima estimulava ações ilegais
d. não contribuiu para a causa defendida por ele
e. fez com que ele ficasse conhecido internacionalmente

4. A palavra do texto formada por composição é:
a. protomártir
b. seringueiro
c. desconfiar
d. internacional
e. comercialização

5. O vocábulo do texto cuja acentuação gráfica se justifica segundo a mesma regra observada na palavra "dionisíacos" é:
a. país
b. Pelé
c. hábil
d. trópicos
e. contribuído

6. "Quero apenas que meu assassinato sirva para acabar com a impunidade dos jagunços...".
No fragmento destacado, há:
a. duas orações coordenadas (Quero apenas)
b. uma oração subordinada (que meu assassinato sirva)
c. uma oração adjetiva (para acabar ...)
d. duas orações adverbiais (Quero apenas/que meu assassinato sirva)
e. três orações subordinadas cujos verbos são "quero", "sirva" e "acabar”

7. O vocábulo grifado só não é pronome relativo em:
a. "O país que produziu alguns dos mais famosos mitos olímpicos e dionisíacos deste século..."
b. "... como achava que morreria em vão..."
c. "... seringueiros e índios, que sob sua influência se aliaram numa grande frente conhecida pelo nome de Povos da Floresta."
d. "... espaços para garantir os direitos mínimos que os seringueiros nunca haviam tido..."
e. "... suas idéias enfrentavam a oposição violenta dos latifundiários, dos madeireiros e dos grandes projetos agropecuários que vivem do desmatamento desordenado da Amazônia."

8. Pode-se afirmar que os seguintes recursos, próprios do texto não-literário, estão presentes no texto lido:
a. proliferação de figuras de linguagem
b. predomínio da linguagem conotativa
c. presença da linguagem referencial
d. utilização de elementos ficcionais
e. exercício do plurissignificado

9. "Quando eu quis pegar no seu braço, ele caiu e ficou se debatendo. Aí vi que estava morrendo". (3° parágrafo)
As aspas, no trecho destacado, são empregadas para:
a. transcrever falas do autor
b. demarcar transcrição de uma fala
c. destacar exemplo importante
d. referir-se à notícia de jornal
e. citar frases cristalizadas na língua

10. "Chico sabia que precisava de aliados, não podia ficar isolado em Xapuri lutando contra poderosos interesses de fazendeiros e pecuaristas. Alguns antropólogos e representantes de entidades ambientalistas dos Estados Unidos e da Europa se encarregaram de projetá-lo no circuito internacional."
O ponto que aparece entre os dois períodos acima destacados pode ser substituído, mantendo o sentido original, pelo seguinte elemento de coesão:
a. porém
b. onde
c. por isso
d. porque
e. para que

Questões da prova de Auxiliar de Enfermagem (SUFRAMA - 2008)

AMAZÔNIA, ECOCÍDIO ANUNCIADO

Frei Betto

"Não existe cana na Amazônia. Não temos conhecimento de nenhum projeto na região, nem recente nem antigo", afirmou Reinhold Stephanes, ministro da Agricultura, dando eco ao boato oficial de que a cana se mantém distante da floresta (O Globo, 29-07-2007).

Dados oficiais revelam que o plantio de cana-de-açúcar avança sobre a Amazônia, apesar das negativas do governo federal. Projetos sucroalcooleiros instalados no Acre, Maranhão, Pará e Tocantins vivem momento de expansão acelerada. A região não só é fértil como também competitiva. Lula se equivocou ao afirmar que a cana "fica muito distante da Amazônia".

Segundo levantamento da Companhia Nacional de Abastecimento - Conab -, vinculada ao Ministério da Agricultura, a safra de cana na Amazônia Legal - que compreende estados como Amazonas, Maranhão, Mato Grosso, Pará e Tocantins -, aumentou de 17,6 milhões de toneladas para 19,3 milhões de toneladas no período 2007/2008. Esse cultivo na Amazônia atrai, inclusive, investidores estrangeiros. O fundo de investimento Cooper Fund, de aposentadas estadunidenses, agora é sócio do grupo TG Agro Industrial/Costa Pinto, que produz álcool em Aldeias Altas, no Maranhão. No município de Campestre do Maranhão, o empresário Celso Izar, da Maity Bioenergia, negocia com investidores estrangeiros quatro projetos, cada um orçado em US$ 130 milhões, para produzir 1,2 milhão de toneladas de cana. A empresa produz atualmente um milhão de toneladas.

O Greenpeace acredita que o governo não tem condições de fazer valer a proibição do plantio de cana na Amazônia. Ainda que haja leis proibitivas, como o governo pretende fiscalizar? Não basta proibir, é preciso inibir o plantio. Seria bem mais eficiente se o governo levasse a efeito o que cogitou o presidente Lula: fechar a torneira dos bancos públicos aos investidores e parar de liberar financiamentos. Só assim seria possível coibir novos projetos.

Outro problema grave na região amazônica é a extração ilegal de madeira nobre: ipê, cedro, freijó, angelim, jatobá. A cada dia, 3.500 caminhões circulam no interior da floresta, carregando madeira ilegal. Com a escassez no mundo, o preço do metro cúbico da madeira retirada da Amazônia é pago, pelos madeireiros aos proprietários da área, em média R$ 25 por metro cúbico. Depois, eles serram e exportam em pranchas ou blocos quadrados.

Na Europa, a mesma madeira é vendida pelos comerciantes locais aos fabricantes de móveis ou consumidores comuns a um preço equivalente a R$ 3.200 o metro cúbico. Uma diferença de 1.280%!! O Brasil é o segundo maior exportador de madeira do mundo, atrás da Indonésia.

Nos últimos 37 anos, desde que a ditadura acionou a corrida para a Amazônia, foram desmatados 70 milhões de hectares, dos quais 78% são ocupados por 80 milhões de cabeças de gado. No entanto, pela madeira exportada o Brasil amealhou apenas US$ 2,8 bilhões.

Menos do que um ano de exportações da Embraer, fabricante de aviões.

Pecuaristas desmatam para abrir pasto. Basta conferir. Os maiores produtores de carne estão exatamente nos municípios paraenses onde há mais desmatamento: São Félix do Xingu, Conceição do Araguaia, Marabá, Redenção, Cumaru do Norte, Ourilândia e Palestina do Pará. Detalhe: 62% dos casos de trabalho escravo ocorrem em fazendas de pecuária.

Grandes empresas, que possuem vastas extensões de terra na Amazônia legal, desmatam para plantar eucalipto e transformá-lo em carvão vegetal destinado às suas siderúrgicas na região. Põem abaixo a floresta tropical mais rica em biodiversidade do mundo e implantam o monocultivo de eucalipto, sem nenhuma diversidade vegetal, e o transformam em carvão, que aumenta o aquecimento global. Enquanto as empresas se agigantam, a nação fica com o ônus da degradação ambiental.

A Amazônia é vítima de um ecocídio em função da ganância do capital. Se a sociedade não pressionar e o governo não agir, no futuro haverá ali um novo Saara, com graves conseqüências para a sobrevivência da humanidade e da Terra.

(http://www.amazonia.org.br/opiniao/artigo_detail.cfm?id=261438, acessado em 12/02/2008)

1. Com base na opinião do autor do texto lido, pode-se afirmar que na Amazônia:
a. não há plantação de cana.
b. a extração ilegal de madeira nobre é residual.
c. o trabalho escravo foi erradicado.
d. o cultivo existente é nacionalizado.
e. os produtores de carne desmatam.

2. O vocábulo "ecocídio" é um(a):
a. arcaísmo.
b. anacronismo.
c. neologismo.
d. onomatopéia.
e. eufemismo.

3. Lula se equivocou ao afirmar que a cana "fica muito distante da Amazônia".
As aspas, no trecho destacado do segundo parágrafo, são empregadas para:
a. transcrever falas do autor.
b. demarcar transcrição de uma fala
c. destacar exemplo importante.
d. assinalar uma figura de linguagem.
e. citar frases cristalizadas na língua.

4. O levantamento feito pela Companhia Nacional de Abastecimento, comparado às afirmações do ministro e do presidente (primeiro e segundo parágrafos), produz no texto um sentido de:
a. comparação.
b. comprovação.
c. contradição.
d. detalhamento.
e. generalização.

5. De acordo com a lógica do texto, só NÃO pertence ao campo semântico de "ecocídio":
a. projetos sucroalcooleiros.
b. extração ilegal de madeira nobre.
c. pecuaristas do Pará.
d. exportações da Embraer.
e. monocultivo de eucalipto.

6. Dentre os vocábulos grifados, o elemento de coesão anafórico é:
a. "Dados oficiais revelam que o plantio de cana-deaçúcar...".
b. "Depois, eles serram e exportam em pranchas ou blocos quadrados.".
c. "No entanto, pela madeira exportada o Brasil amealhou apenas US$ 2,8 bilhões.".
d. "... desmatam para plantar eucalipto e transformá-lo em carvão vegetal...".
e. "Põem abaixo a floresta tropical mais rica em biodiversidade do mundo e implantam o monocultivo de eucalipto".

7. O vocábulo do texto cuja acentuação gráfica se justifica segundo a mesma regra observada na palavra "públicos" é:
a. vítima.
b. açúcar.
c. jatobá.
d. atrás.
e. transformá-lo.

8. A região não só é fértil como também competitiva. Lula se equivocou ao afirmar que a cana "fica muito distante da Amazônia".
Para que o fragmento transcrito acima passe a ter um único período, mantendo o sentido original do texto, o ponto poderia ser substituído pela conjunção:
a. mas.
b. pois.
c. contudo.
d. que.
e. logo.

9. Em "Ainda que haja leis proibitivas...", o verbo permanece no singular porque:
a. o sujeito é indeterminado.
b. é impessoal.
c. o sujeito está implícito na forma verbal.
d. a forma plural inexiste.
e. é defectivo.

10. O vocábulo grifado só NÃO é pronome relativo em:
a. "Lula se equivocou ao afirmar que a cana fica muito distante da Amazônia".
b. "a safra de cana na Amazônia Legal - que compreende estados como Amazonas, Maranhão, Mato Grosso, Pará e Tocantins...".
c. "Os maiores produtores de carne estão exatamente nos municípios paraenses onde há mais desmatamento...".
d. "Grandes empresas, que possuem vastas extensões de terra na Amazônia legal...".
e. "e o transformam em carvão, que aumenta o aquecimento global."

Questões da prova de Fiscal de Tributos Municipais (2008)

Leia, atentamente, o seguinte fragmento de conferência do importante intelectual italiano Umberto Eco, proferida na Universidade de Colúmbia (EUA), para comemorar o qüinquagésimo aniversário da Liberação da Europa.

"(...) Em 1942, quando tinha dez anos, recebi o Primeiro Prêmio Provincial do Ludi Juvenile (uma *linha 2* competição voluntário-compulsória para jovens fascistas italianos, isto é, para todos os jovens italianos). Eu discorrera com destreza retórica sobre o tema "Deveríamos morrer pela glória de Mussolini e pelo destino imortal da Itália?" Minha resposta foi afirmativa. Eu era uma criança esperta.

Até que, em 1943, descobri o sentido da palavra Liberdade. Permitam-me contar essa história no final da minha fala. Liberdade não significava Liberação.

Passei dois anos da minha infância entre soldados da SS, fascistas e comunistas atirando uns nos outros, e aprendi como me esquivar das balas (...)

Em abril de 1945, a Resistência ocupou Milão. Dois dias mais tarde, chegaram ao vilarejo onde eu vivia por então. Foi um momento de alegria. A praça central estava tomada de gente cantando e agitando bandeiras, clamando por Mimo, o líder guerrilheiro da região. Mimo apareceu no balcão da Prefeitura, apoiado em sua bengala, pálido, e com uma das mãos tentava acalmar a multidão.

Eu estava ansioso por ouvir seu discurso, já que toda a minha infância tinha sido marcada pelos discursos históricos de Mussolini - cujas passagens mais memoráveis tínhamos que decorar na escola Silêncio. Mimo falava numa voz rouca, quase inaudível. Ele disse: "Cidadãos, amigos. Depois de tantos sacrifícios dolorosos... aqui estamos. Glória aos que tombaram pela liberdade".

E foi só. Ele entrou no edifício. A multidão gritava, os guerrilheiros levantavam suas armas e disparavam rajadas festivas. Nós garotos corríamos para juntar as cápsulas, itens preciosos numa coleção, mas eu também havia aprendido que liberdade de palavra significa libertação de retórica (...)

(Tradução de Samuel Titan Jr. Transcrito do suplemento mais! Folha de São Paulo)

1. O principal objetivo comunicativo desse trecho é:
a. narrar episódios da infância do autor.
b. relatar a participação da Resistência na luta contra os fascistas pela liberação da Itália.
c. relatar a descoberta pelo autor do valor da liberdade de expressão.
d. transcrever o discurso do líder guerrilheiro Mimo.
e. representar a importância da retórica na cultura italiana.

2. A "competição voluntário-compulsória" (linha 2), a que o autor se refere, pode ser melhor definida como:
a. uma competição na qual todos participavam por vontade própria.
b. uma participação na qual todos participavam por obrigação.
c. uma competição na qual a participação era automática.
d. uma competição em que se valorizava a força de vontade dos participantes.
e. uma competição na qual a participação obrigatória se apresentava na forma livre de opção.

3. O seguinte episódio da narrativa motiva a afirmação, feito no texto, de que "liberdade de palavra significa libertação da retórica".
a. o discurso do líder guerrilheiro Mimo era aguardado, com ansiedade, pela multidão na praça.
b. as crianças nas escolas eram obrigadas a memorizar os trechos mais brilhantes dos discursos de Mussolini.
c. a multidão acolheu, com grande entusiasmo, a palavra do libertador.
d. o autor, quando criança, escreveu que se dispunha a sacrificar a vida pela glória da Itália.
e. Mimo, tendo conquistado o direito de dirigir-se à multidão, falou pouco, em homenagem aos que morreram pela liberdade.

4. Discorrer com destreza é o mesmo que discorrer:
a. com certeza.
b. com entusiasmo.
c. com patriotismo.
d. com habilidade.
e. com clareza.

5. Ao fim do primeiro parágrafo do texto, ocorrem os seguintes dois períodos: "Minha resposta foi afirmativa. Eu era uma criança esperta (...)". A relação do segundo período com o primeiro é de:
a. conseqüência.
b. causa.
c. explicação.
d. finalidade.
e. modo.

6. O quarto parágrafo do texto apresenta os seguintes dois períodos: "(...) Em abril de 1945, a Resistência ocupou Milão. Dois dias mais tarde, chegaram vilarejo". A forma destacada do verbo:
a. é um caso de concordância ideológica.
b. constitui um erro de concordância.
c. constitui um erro de regência.
d. a razão da aprendizagem.
e. a finalidade da aprendizagem.

7. No terceiro parágrafo do texto, ocorre a sentença "(...) Aprendi como me esquivar das balas (...)". Neste contexto, a oração destacada designa:
a. o modo da aprendizagem.
b. a qualidade da aprendizagem.
c. o conteúdo da aprendizagem.
d. a razão da aprendizagem.
e. a finalidade da aprendizagem.

8. A expressão verbal tinha sido marcada, usada no primeiro período do quinto parágrafo do texto, designa:
a. o tempo passado em relação ao momento em que o autor profere a palestra.
b. o tempo passado em relação ao momento em que Mimo vai discursar.
c. o tempo passado em relação ao momento de liberação da Itália.
d. o tempo passado em relação às lembranças de infância do autor.
e. o tempo passado em relação ao momento da chegada dos guerrilheiros ao vilarejo.

9. "... (uma competição voluntário-compulsória para jovens
    fascistas
italianos)". Qual palavra está mal grafada?
a. obceno.
b. rescisão.
c. ressuscitar.
d. assessório.
e. dissensão.

10. "Eu estava ansioso por ouvir seu discurso..." Qual palavra está incorreta quanto ao emprego de "s" ou "c" ?
a. hortência
b. pretensioso
c. ganso
d. pêssego
e. consenso